domingo, março 27, 2005

Singela Nostalgia

Já comentei sobre isso com alguns de meus amigos. É muito interessante como a lembrança da primeira vez em que você escutou uma determinada música é extremamente forte. Escutando ultimamente algumas músicas que faziam alguns anos que não escutava tive esta lembrança (dá até pra escrever uma letra de música sobre isso :)). No momento estou escutando a música Coming Back to Life do Pink Floyd na fase pós-Roger Waters. Me lembro que recém havia passado no vestibular quando o Pink Floyd me foi apresentado. A primeira música que achei mais interessante foi On the Turning Away (do disco A momentary lapse of reason (também da fase pós-Roger Waters)). Assim, On the turning away me remete ao Carnaval do ano 2000, no exato momento em que me preparava para ir para uma festa um amigo meu, que na época não era muito chegado em carnaval, colocava esta música no computador aqui de casa e dizia: "Esta é a bala do CD". Ele estava certo. Jamais irei esquecer aquele dia devido esta música.

Outra música do Pink Floyd que me marcou muito foi Mother (do CD The Wall, com o Roger Waters). Baixei ela no verão, já em 2001. Escutando a música e acompanhado a letra reparo que a primeira parte, cantada pelo Waters, são feitas perguntas à mãe, dentre elas: "Mother should I build the wall ?". A parte seguinte, cantada pelo David Gilmour, trata-se das respostas, onde a mãe, que inicialmente tenta acalmar seu filho (Hush now baby, baby, don't you cry), responde que irá cuidar dele com todo carinho. Ao final desta parte vem a resposta para a pergunta acima citada: "Of course mama'll gonna help build the wall". Após esta frase segue um solo extremamente belo de guitarra. Este solo de guitarra, seguido da resposta para a pergunta "Mother should I build the wall ?", fizeram com que este momento jamais saísse de minha mente. No final desta música o filho ainda faz uma última pergunta referindo-se ao muro: "Mother, did it need to be so high ?". Me lembro que escutei umas 10 vezes seguidas esta música (totalizando quase uma hora:)).

É uma pena que não seja possível manter para sempre a sensação da primeira vez em que escutamos determinada música. Mas, afinal de contas, como diria o cara que escreveu o livro do post abaixo "(...) changes aren't permanent, but change is !". É válido ainda dizer que se há nostalgia, há também momentos que gostamos de relembrar e isso é bom ! :)

Escutando Frank Zappa, Joe's Garage.

PS.: Interessante como a letra da música Joe's Garage também é meio nostálgica.

segunda-feira, março 14, 2005

I used to read books but...

Semana passada acabei de ler o livro Traveling Music: The Soundtrack of my life and times de autoria de Neil Peart (para quem não sabe: baterista do Rush e considerado por muitos, inclusive eu, o maior baterista de rock de todos os tempos). O livro contendo 380 páginas é bem escrito e fala de várias coisas curiosas da vida deste grande músico, como uma em vez que, durante umas das poucas viajens com LSD (poucas mesmo), ele e um amigo descobrem o motivo da existência humana: "Você levanta pela manhã e vai trabalhar".

Como o nome do livro sugere o assunto principal é música. Música moderna (apesar de haver alguns parágrafos onde ele cita Beethoven e Bach). Durante o decorrer do livro Neil descreve as paisagens de sua viagem (de Los Angeles até o Big Bend National Park no Sul do Texas (fronteira com o México)), as lembranças que vem a sua mente nos lugares em que está passando pela segunda vez e, como não poderia deixar de ser, a trilha sonora que vai escutando no seu BMW Z8.

Neil revela sua admiração pela banda Linkin Park e pelo estilo que ele criaram (como comentario em relação o vocalista ele diz: "Bem, ele não estará cantando deste jeito quanto ele tiver 40 anos mas acho que ele não se importa com isso agora.") Outro detalhe que sempre tive curiosidade me foi esclarecido neste livro. Neil Peart é um admirador de Pink Floyd. E assistiu dois shows do Pink Floyd durante a década de 70 (a fase de diamante do velho Pink), sendo um em Toronto e outro na Inglaterra durante sua estadia por lá alguns anos antes de entrar no Rush (ele descreve este show na Inglaterra com uma única palavra: Magic !). Pude perceber que ele também admira muito Roger Waters como letrista e David Gilmour como guitarrista. Muitos irão se chocar mas: Kurt Cobain é uma da pessoas que figuram na lista de imortais de Neil Peart (nesta lista também estão Roger Waters e Jeff Buckley (último a ser incluído)).

Um comentário interessante e pertinente sobre bateristas de rock também foi feito: "Muitos bateristas de rock tocam apenas 'beats' ao invés de tocarem 'drums'". Neil comenta também sobre o fato de ser bastante repetitiva a bateria do Linkin Park, porém ele assume que para o tipo de som que eles fazem ela parece bastante suficiente. Não posso esquecer também de falar sobre a admiração de Neil Peart por Frank Sinatra, ele gasta vários parágrafos para falar sobre os velhos olhos azuis. A ótima banda Porcupine Tree também é citada durante o livro.

Nos capítulos finais Neil fala sobre sua aventura de bicicleta pela África e também sobre os tensos preparativos para o concerto da febre asiática (SARS), realizado em Toronto, com o objetivo revitalizar a cidade que havia registrado alguns casos da doença.

Muitas outras coisas são reveladas também. Um citação interessante: "um espelho estrada abaixo é uma interessante maneira de conduzir uma vida e uma carreira". Ou seja, sempre refletindo o passado mas sempre avançando em direção ao futuro.

Como todo livro que leio quando chego no final sempre vem uma pequena deprê. E este não foi diferente. Mas tudo tem um fim, por melhor ou pior que seja (hehehhe lembrei de The Good don't last do Spock's beard).

Capa Traveling Music

sexta-feira, março 04, 2005

The spirit of a radio...

Ironias e coincidências são coisas que dão um certa graça para a existência. Este caso ocorreu durante o concurso de bandas da Unisc, em Agosto de 2004.

Após a apresentação de todas as bandas os jurados se retiraram para decidir quem seriam os vitoriosos. Enquanto isso, a banda Megafônicos (campeã do ano anterior) fazia a apresentação para o encerramento do concurso. Neste interím comentei com um conhecido meu "Bah, eles tocam Rush. Vamos pedir pra eles tocarem.", assim começamos a gritar "Rush... Ruuuush... Ruuuuuuuush" (especialmento no intervalo entre uma música e outra para que eles escutassem ::)). Após alguns minutos o vocalista anuncia: "E pra galera que tá aí pedindo: 'Vai rolar Rush'". Antes de tocar a música do Rush eles anunciaram os lugares onde estariam tocando nos próximos dias, eram vários lugares considerando que eles são uma banda que toca basicamente Rock.

A música que eles tocaram foi The Spirit of a Radio do CD Permanent Waves de 1980. Esta música fala basicamente sobre a integridade da música. Quando chegou a parte da letra que diz: "But glittering prizes and endless compromises/ Shatter the illusion of integrity" (Mas prêmios pomposos e compromissos sem fim/ Acabam com a ilusão da intregridade). Na hora me liguei !!! Um sorriso foi inevitável. O fato de ser o encerramento de um concurso de bandas, onde seriam dados prêmios, e os vários compromissos da banda que ali se apresentava fecharam como uma luva com a letra desta belíssima música.

Não estou afirmando que a banda que ali tocava ou que as pessoas que receberam prêmios não eram musicalmente íntegros, de maneira alguma, o destaque é apenas para este sútil detalhe mesmo. =)

PS1: Acabei de escutar a versão original da música vencedora do Oscar deste ano (Al otro lado del rio) e devo dizer que a versão que foi apresentada na festa de premiação foi muito*1000 fraca se comparada com a original.
PS2: Acabei de escutar também a versão de Jeff Buckley para a música Hallelujah de Leornard Cohen. Muito boa também. Eu conhecia apenas a versão de Rufus Wainwright, que foi a versão que apareceu no filme Shrek (bem naquela parte que aparece a cena do Shrek triste, no pântano, e da Fiona prestes a se casar...), breve um post apenas sobre esta música.